Parte II: O Fantasma no Ouro
O silêncio que se seguiu foi mais pesado que o caixão. O velho, o patriarca de um império de bilhões de dólares, cambaleou como se as palavras da criança o tivessem atingido fisicamente.
– « O que você disse? » – ele sussurrou, a voz falhando como pergaminho seco.
O garotinho, limpando uma lágrima com a manga suja, apontou um dedo trêmulo para o caixão de mogno polido. – « Minha mamãe… ela disse que viemos dizer adeus para a vovó. Ela disse que era aqui que costumava ser a casa dela. »
A mulher glamorosa de oculos escuros explodiu. Seu verniz polido rachou, revelando um desespero frenético e cortante. – « Calem a boca dele! É um pivete de rua! Ambos são golpistas atrás de esmola! » – ela gritou, avançando contra a garota novamente.

Mas o velho se colocou entre elas. Seus olhos não estavam mais na mulher – sua própria irmã – mas no colar que repousava sobre a clavícula da garota. Era um medalhão vintage, uma relíquia de família que ele pessoalmente havia colocado no pescoço de sua filha dezesseis anos atrás, antes de lhe dizerem que ela havia morrido durante a noite no hospital.
– « Eu enterrei isso com a minha Sarah, » – o velho balbuciou, com as mãos tremendo. – « Como você está com isso? »
A garota finalmente levantou a cabeça. Seu rosto estava marcado pelo tapa, mas seus olhos carregavam um fogo que silenciou os murmúrios da multidão.
– « Minha mãe morreu há duas semanas em um apartamento de porão a cinco quilômetros daqui, » – disse ela. – « Ela passou dezesseis anos escondida nas sombras porque lhe disseram que sua família pagou para que ela fosse apagada. Ela me fez prometer… que se ela não acordasse, eu teria que trazer o filho dela aqui. Para o pai dela. »

A mulher rica ficou pálida como cera quando a garota apontou o dedo para ela. – « Minha mãe não ‘desapareceu’. Ela foi roubada. E ela me disse que a mulher que pagou aos médicos para levá-la embora… era aquela ali. »
O menino subitamente se escondeu atrás da saia da garota, gritando: – « É aquela mulher! A mamãe tinha uma foto dela! Ela disse que ela era o monstro! »
O velho não gritou. Ele simplesmente se abaixou e pegou a mão da garota, levantando-a junto com o menino da sujeira. Ele olhou para a irmã com uma finalidade fria e terrível.
– « O funeral acabou, » – anunciou ele. – « Vou para casa com meus netos. E, até o pôr do sol, quero cada vestígio seu removido da minha vista, da minha casa e da minha vida. A policy cuidará do resto. »
Enquanto o sol começava a desaparecer atrás das árvores, a garota « pobre » eo garotinho saíram do cemitério, não como intrusos, mas como os novos herdeiros do império que tentou enterrá-los. A seda e os diamantes ficaram para trás na terra, enquanto a verdade finalmente caminhava livre.